AI OVERWATCH Act: EUA Quer Veto na Exportação de Chips de IA

O AI OVERWATCH Act visa impedir que chips de IA americanos cheguem a adversários como a China. (Fonte: IDTechEx)

O AI OVERWATCH Act, um novo projeto de lei introduzido no Congresso dos Estados Unidos, marca uma escalada significativa na guerra tecnológica entre Washington e Pequim. A proposta, liderada pelo Presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, Brian Mast, busca estabelecer uma fiscalização rigorosa sobre a exportação de chips de inteligência artificial (IA) avançados para países considerados adversários, como a China, Rússia e Irã. Este movimento visa proteger a liderança tecnológica americana e impedir que a tecnologia de ponta seja usada para fins militares por nações rivais.

A iniciativa surge em um momento crucial, onde a capacidade de processamento de IA é vista como o novo poderio militar. Ao equiparar a venda de chips de IA a vendas de armas, o AI OVERWATCH Act exige que o Congresso tenha poder de veto sobre a aprovação de licenças de exportação, garantindo que a tecnologia mais sensível dos EUA não caia nas mãos erradas. A medida é uma resposta direta ao uso crescente de IA em sistemas de vigilância, armamentos e ciberoperações por parte de adversários globais.

A legislação conta com o apoio de diversos líderes do Congresso e grupos de segurança, que argumentam que a tecnologia de IA é um ativo de dupla utilização, com implicações tanto civis quanto militares. A preocupação central é que a China, em particular, utilize a capacidade de computação fornecida por chips americanos, como os da Nvidia, para acelerar sua expansão militar e tecnológica, minando a segurança nacional dos EUA e de seus aliados.

O que o AI OVERWATCH Act Propõe na Prática?

O cerne do AI OVERWATCH Act reside em cinco pilares principais que redefinem o controle de exportação de tecnologia de IA. O primeiro e mais impactante é a Revisão Congressual, que exige que o poder executivo notifique o Congresso antes de aprovar qualquer exportação de chips de IA avançados para países como China, Cuba, Irã, Coreia do Norte, Rússia e o regime de Maduro na Venezuela. O Congresso teria então 30 dias para revisar e, potencialmente, bloquear a exportação através de uma resolução conjunta de desaprovação.

Outra provisão crucial é a de “Sem Chips para Militares Adversários”. Esta cláusula exige salvaguardas verificáveis para garantir que a exportação de chips de IA para países de preocupação não aprimore as capacidades militares, de inteligência, vigilância ou cibernéticas dos adversários. A lei também visa garantir o “AI em Primeiro Lugar para a América”, assegurando que as exportações para adversários estrangeiros não limitem a disponibilidade de chips avançados para o mercado interno dos EUA, protegendo a liderança global americana em modelos de IA e computação em nuvem.

A legislação também inclui um Requisito de Estratégia de Segurança Nacional, que exige uma avaliação detalhada das capacidades dos adversários e da produção interna de chips da China antes de qualquer exportação. Por fim, o ato busca Acelerar as Exportações para Aliados, facilitando o envio de tecnologia de IA para parceiros confiáveis que atendam a fortes padrões de segurança e propriedade. Essa abordagem de “duas vias” visa fortalecer a aliança tecnológica ocidental enquanto isola os adversários.

Qual o Impacto do AI OVERWATCH Act no Brasil e no Mercado Global?

Embora o foco principal do AI OVERWATCH Act seja a rivalidade entre EUA e China, as ramificações de uma política de controle de exportação tão estrita se estendem por todo o mercado global de tecnologia, incluindo o Brasil. O país, que depende fortemente de importações de hardware de ponta para seus próprios projetos de IA e infraestrutura de nuvem, pode enfrentar um cenário de maior volatilidade e preços mais altos para chips avançados.

A restrição no fornecimento para a China pode, teoricamente, liberar mais chips para outros mercados, mas a incerteza regulatória e a complexidade da cadeia de suprimentos global tendem a gerar instabilidade. Empresas brasileiras que utilizam serviços de nuvem baseados em infraestrutura americana, que por sua vez dependem desses chips, podem sentir o impacto indireto. Além disso, a legislação reforça a tendência global de regionalização da produção e da cadeia de suprimentos, um movimento que o Brasil precisa acompanhar de perto para garantir sua própria soberania tecnológica.

A discussão sobre o controle de exportação de chips de IA não é nova. Projetos anteriores, como o SAFE Chips Act, já haviam levantado a questão da restrição de tecnologia para a China. O AI OVERWATCH Act, no entanto, eleva o nível de controle ao exigir a revisão direta do Congresso, transformando o debate de uma questão puramente executiva para uma de política legislativa de alto nível. Este é um sinal claro de que a tecnologia de IA não é mais tratada como um produto comercial comum, mas sim como um ativo estratégico de segurança nacional.

O futuro da corrida armamentista de IA será definido pela capacidade de acesso e produção desses semicondutores. Ao tentar “matar a fome” da China por poder de computação, os EUA esperam desacelerar o desenvolvimento militar de Pequim. A aprovação do AI OVERWATCH Act pode reconfigurar o mapa da tecnologia global, forçando empresas como Nvidia e AMD a reavaliar suas estratégias de mercado e acelerando a busca por alternativas de chips de IA em todo o mundo.

Acompanharemos de perto a tramitação deste projeto de lei e seus desdobramentos. Para mais detalhes sobre a proposta, consulte o comunicado de imprensa oficial e o texto integral do H.R. 6875 no Congresso dos EUA.

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